Fobias

O que é fobia?

São medos persistentes e irracionais de um objeto específico, atividade, ou situação considerados sem perigo, que resulta em necessidade incontrolável de evitar este estímulo. Se isto não é possível, o confronto é precedido por ansiedade antecipatória e realizado com grande sofrimento e comprometimento do desempenho. Podem ser classificadas em:

Agorafobia designa medo e esquiva de diversas situações: sair ou ficar desacompanhado, entrar em lojas, mercados, ou lugares públicos abertos ou fechados, transporte coletivo, elevador, carros, andar em vias expressas e congestionamentos. Nos casos mais graves, o paciente não consegue sair de casa, ou só pode fazê-lo acompanhado, até certa distância, com grande comprometimento de sua vida pessoal e familiar. Uma avaliação mais fina mostra que ele não teme as situações, mas tem medo de nelas sentir sensações corporais de ansiedade ou crises de pânico. Este “medo do medo” é a característica fundamental da agorafobia. Denomina-se Síndrome do Pânico ao conjunto de manifestações englobadas pelos conceitos de transtorno de pânico e agorafobia. Fobia social é o medo excessivo e o evitar situações onde a pessoa possa ser observada ou avaliada pelos outros, pelo temor de se comportar de modo embaraçoso ou humilhante. Se é impossível evitar a situação, ele apresenta ansiedade patológica, podendo chegar a um ataque de pânico. As situações mais comumente descritas são: participar de festas ou reuniões, ser apresentado a alguém, iniciar ou manter conversas, falar com pessoas em posição de autoridade, receber visitas em casa, ser observado durante alguma atividade (comer, beber, falar, escrever, votar, usar o telefone), ser objeto de brincadeiras ou gozação e usar banheiro público. Outros temores são o de poder vir a vomitar, tremer, suar ou enrubescer na frente de outros.

As queixas somáticas são as mesmas, mas predominam o enrubescer, o suor e o tremor. Algumas pessoas que evitam contacto social apresentam na verdade dismorfofobia. Nesta síndrome há queixa persistente de um defeito corporal específico, que não é notado por outros. Os portadores escondem-se atrás de roupas, óculos escuros e outros artifícios. As queixas mais comuns são problemas na face (cicatrizes, pintas, pelos), deformidades, defeitos no pênis ou seios, odores nas axilas, nos genitais ou no ânus e mau hálito. Ela adquire às vezes a dimensão de um delírio ou pode fazer parte da constelação de sintomas da esquizofrenia ou outras psicoses. Com muita freqüência procuram cirurgiões plásticos e dermatologistas.

Tipos

Fobias específicas caracterizam-se por comportamentos de esquiva em relação a estímulos e situações determinados, como certos animais, altura, trovão, escuridão, avião, espaços fechados, alimentos, tratamento dentário, visão de sangue ou ferimentos, etc. As fobias a seguir são as mais importantes para o clínico:

a. Fobias de animais: Envolvem geralmente aves, insetos (besouros, abelhas, aranhas), cobras, gatos ou cachorros.
b. Fobias de sangue e ferimentos: Algum desconforto à visão de sangue, ferimentos ou grandes deformidades físicas é normal. Quando chega a níveis fóbicos, o paciente apresenta prejuízos pessoais e sofrimento importantes. Recusam procedimentos médicos e odontológicos, não conseguem fazer exames subsidiários. Abandonam carreiras, como medicina ou enfermagem, ou evitam a gravidez com medo dos procedimentos associados ao parto. Essa fobia apresenta características próprias: tendência a perder a consciência diante do estímulo fóbico, caráter familiar; e a não predominância em mulheres. Em relação à perda de consciência, esses pacientes apresentam uma resposta bifásica de freqüência cardíaca e pressão arterial (PA), caracterizada por uma fase inicial com aumento de freqüência cardíaca e pressão arterial, seguida por queda importante de pulso e pressão, acompanhada de sudorese, palidez, náuseas e, freqüentemente, síncope. Mais raramente pode haver até períodos de assistolia e convulsões.
c. Fobias de doenças: A hipocondria, caracterizada por uma percepção ameaçadora de doença física, é um quadro relativamente comum e heterogêneo. Quando o temor de doenças refere-se a múltiplos sistemas orgânicos, falamos em hipocondria e, se é mais específico, em fobia de doença. Muitos pacientes com essa fobia apresentam comportamentos de esquiva em relação a reportagens, conversas, hospitais ou qualquer outra situação que o confronte com a doença temida. As doenças mais classicamente temidas são as estigmatizadas pela sociedade, como a sífilis, câncer ou a AIDS.

O tratamento das fobias é feito através de técnicas de exposição. Através delas ocorre diminuição dos sintomas ansiosos e habituação a situação fóbica. Os três segredos dos exercícios de Exposição:

Estabelecer um objetívo prático e importante;
Permanecer na situação até o medo passar ou diminuir muito de intensidade;
Repetir o exercício sistematicamente.

Neurose:

A palavra neurose foi criada pelo médico escocês Wiliam Cullen no fim do século 18, para designar distúrbios das sensações e movimentação corporal, sem uma lesão anatômica correspondente na rede nervosa.

No início do século 20 o termo popularizou-se graças à difusão das idéias de Freud e da Psicanálise, significando conjuntos de sintomas resultantes principalmente de conflitos psicológicos e recalques inconscientes.

Este conceito prevaleceu na Psiquiatria até a década de 60, em que os transtornos mentais eram distribuídos em dois grandes grupos: psicoses e neuroses. Às psicoses, consideradas doenças mentais mais graves, atribuíam-se causas orgânicas ou funcionais; as neuroses, tidas como menos graves, teriam origem nos conflitos emocionais e traumas psicológicos.

As pesquisas das últimas décadas mostraram que esta distinção não se sustenta; nas neuroses, embora os eventos vitais tenham capital importância, mecanismos químicos de neurotransmissão participam, também, da produção e manutenção dos sintomas, e os fatores genéticos são igualmente significativos. Considera-se que, nas neuroses, a autodeterminação e capacidade de discernimento não são afetadas seriamente.
Em muitos casos, o tratamento apenas psicológico não é suficiente, sendo necessário o suporte medicamentoso, até para possibilitar maior aproveitamento da psicoterapia e conforto do paciente ao longo da resolução de seus conflitos.

Na atual classificação oficial de doenças (C.I.D. – 10), são registrados os seguintes transtornos neuróticos: fóbico-ansiosos, transtornos de ansiedade, obssessivo-compulsivo, reações de estresse e transtornos de ajustamento, transtornos dissociativos, somatoformes e outros, onde se incluem neurastenia e despersonalização. Cada um desses quadros apresenta subdivisões e formas com sintomas diferentes, que só o psiquiatra pode distinguir e tratar adequadamente (Z.B.A. RAMADAM).

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